terça-feira, 15 de Abril de 2014

Assim escreve... Jack Kerouac


"E apercebi-me de que não importa onde estou, seja num pequeno quarto cheio de pensamentos, ou num universo cheio de estrelas e montanhas, está tudo dentro da minha mente.”
Jack Kerouac, Lonesome Traveler



segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Tudo o que precisas para (não) escrever



Escrever é algo muito pessoal.
A não ser que sejas um Ghostwriter, é claro!

Tudo o que envolve a escrita -  desde a inspiração à história impressa - é susceptivel aos gostos e manias do artista.

Silêncio; barulho; música; muita luz; pouca luz; sofá; cadeira de pau; papel e caneta; portátil; de manhã; à noite; PC; Mac; Windows; Text Editor... a lista pode tornar-se infinita até conseguir o “Cenário Perfeito”

Ou seja: a lista de todas as desculpas que usas para não escrever.

No meu caso, a escolha predilecta era o tempo, (pouco original, eu sei), e ainda hoje a tentação para a usar corre-me nas veias.
Temos de o admitir, é tão prático simplesmente dizer “gostava tanto de escrever um livro mas o meu tempo mais parece um Chinês: minúsculo e com má cara.”

Usar desculpas é instintivo.
É um escudo irresistivel de “eu não fiz mas a culpa não é minha”, e quando chega à escrita, não há razão para ser diferente.

Se este cenário te é familiar, a boa notícia é que na tua escrita pode ser diferente!

Eu não sou psicóloga (se fosse o caso teria sido um grande erro) por isso és poupado ás teorias e eu vou directa ao que resultou comigo (alguma coisa se há-de aproveitar... depois é só adaptares... sê criativo!)

1 – Reconhece que és um “bebé chorão”
Desculpas, desculpas, desculpas! Eu sei que te estás a agarrar a elas, tu sabes que te estás a agarrar a elas, (Raios!), provávelmente TODA a gente sabe que te estás a agarrar a elas para não escreveres, só que à tua volta tens pessoas que gostam demais de ti (ou são uns grandes cobardes) para to dizer. Resultado: tu é que continuas com o livro dentro da cabeça e a folha de papel em branco.
Reconhe a ti mesmo que estás a inventar desculpas e ordena-te em voz alta: “Pára de arranjares desculpas! Mexe esses dedos!”

2 – Transforma-te num vilão
Sê vilão de ti mesmo. Descobre as tuas fraquezas e usa-as a teu favor.
Não tens um escritório onde possas fechar a porta e escrever em silêncio? Em vez disso, tens a casa cheia de gente barulhenta que faz a tua cozinha parecer o mercado da Ribeira e a sala um restaurante em hora de ponta? É o cenário ideal para escreveres cenas turbulentas; confrontos e assassínios. (Afinal, já que estás na disposição, mais vale aproveitares!)

3 – Charlateia o tempo
Tens de ir todos os dias trabalhar / estudar. Também eu! (Mas quem é que vai pagar a viagem à Conchichina se não gramares com aquela porcaria toda 8 a 9 horas por dia?) Sim, esse tempo já lá vai (a não ser que consigas roubar tempo ao patrão. Boa! Ou tenhas um QI que te permita ouvir o prof e escrever. Melhor ainda!) Mas há sempre umas horas perdidas que se podem aproveitar como o período do almoço. Duas a três vezes por semana deixa o grupinho do custume e vai almoçar na companhia de um bloco de notas e uma caneta (tu nunca ouves metade do que eles dizem nas conversas de qualquer forma).
Nas viagens de ida/volta para casa. Tem sempre o bloco de notas contigo. Nunca se sabe o que podes encontrar no caminho ou o que te pode vir à cabeça (a inspiração é um bicho estranho). Se vais de carro, usa o gravador de voz, todos os telemóveis mais recentes têm um.

4 – Rouba inspiração
Eu não disse que tinhas de ter o Bloco de Notas sempre à mão? Ele é a tua Caixinha de Segredos, onde deves registar o que vês à tua volta, o que/quem se cruza contigo, e o que neles te chamou á atenção. Depois, lê-o com dedicação. Vais descobrir o que gostas e o que não gostas e é sobre ambos que tens de escrever.
Só o que provoca reacção em ti poderá fazer a tua escrita causar impressão em quem te lê. Porque se tu não acreditares na história que escreves, nos teus personagens, nas lágrimas e sorrisos que lhes pões no rosto, nas venturas e desventuras que os fazes viver... eu com certeza não vou acreditar.

Faz as contas. Quantas horas por semana ganhaste para a tua escrita?

Estas são só algumas das situações mais comuns a todos os aspirantes a escritores. Para os ultrapassares, só tens de te reconhecer, de te transformar, charlatear e roubar. É fácil!

Já te sentes menos vítima e mais vilão?

Mas como é óbvio, a tua imaginação vai bem além destes simples quatro pontos que escrevi, e com certeza terás as tuas próprias desculpas que ainda te sentes reticente em abrir mão tão depressa.
Estás convidado a partilhá-las aqui.
Em conjunto havemos de encontrar forma de te livrares delas.

Tens em ti um escritor, não o adies mais, ESCREVE!


Liliana


Receive All Free Updates Via Facebook.